SALA SURYA

O espaço-conceito Sala Surya Yoga foi (re)criado em 2016 para promover aulas e cursos especialmente direcionados a pessoas dedicadas, que não apenas querem, mas que podem (calma, continue lendo que explico adiante) praticar, estudar e se aprofundar nos conhecimentos referentes à Tradição, Filosofia e Fisiologia Yoga.
O Shantih Yoga Studio

O primeiro momento da atual Sala Surya Yoga aconteceu nos anos 1999-2000, quando criei o Shantih Yoga Studio, em Guarulhos, SP. 

Durante uma década, o SYS, como ficou conhecido, foi um centro de excelência em oferecer aulas e estudos de Yoga. Encerrou suas atividades em 2010, época em que tomei (cons)ciência de uma mudança conceitual muito importante que se estabelecia mais visivelmente nessa época e que merece ser aqui pontuada.

Tempo veloz e vazio

Essa mudança refere-se primordialmente ao modo de vivenciarmos o tempo. Pois se, entre 1990 e 2000, o Yoga passava por um momento de expansão e de divulgação com vistas a uma abertura cada vez maior na inserção de pessoas, depois de 2010, o caminho tornou-se o inverso.

Explico: se por um lado a chamada "popularização" (e mesmo "glamourização") do Yoga teve um lado positivo ao abrir perspectivas àqueles que não teriam acesso a um estúdio tradicional, por outro, também reduziu os ensinamentos, o conhecimento e, pior ainda, a transmissão da prática. 

A aceleração do tempo reduziu a profundidade do Yoga e lançou-o a um espaço onde a experiência tornou-se cada vez mais vazia e a velocidade intermitente sobrepôs-se à tenacidade edificante. 

Yoga à moda antiga

Como professora à moda antiga, dos tempos em que manter um estúdio de yoga era coisa para professores-praticantes-estudiosos de verdade, atualmente, procuro observar com distanciamento a proliferação mercantilista de professores-minuto e de locais designados à manutenção de um tipo de yoga estruturalmente clientelista. São empresários, os chamados empreendedores, que se transvestem de respeitosos entusiastas do yoga. 

Por isso também é que me recordo, de maneira nostálgica, dos bons e idos tempos (entrei pela primeira vez num estúdio em 1979!), quando os aspirantes a professores tinham que praticar por (mínimo dos mínimos!) cinco a seis anos ininterruptamente (guarde bem esta palavra!) antes de sequer cogitar sobre a remota possibilidade de ensinar. Eu mesma pratiquei por dezesseis anos antes de me considerar minimamente capacitada a ensinar Yoga.

Penso que professores sérios e dedicados, que, assim como eu, têm uma reputação a zelar (adquirida com muito trabalho e disciplina), precisam refletir criticamente a esse respeito. Ademais, são esses mesmos professores os que já não conseguem mais manter um estúdio tradicional devido à pressão de um mercado regido pela imediatez instantânea do clientelismo-consumista - que vê um aluno-praticante de yoga apenas como mais um cliente-consumidor e que, como tal (leia-se: cliente-consumidor), quer as coisas todas ao seu tempo e modo, pois está pagando por mais um produto qualquer (no caso, para ficar bem entendido, yoga e professor juntos como um pacote/combo).

E é exatamente para andar na contra-mão desse status quo que, passados seis anos do encerramento do SYS, ele "retorna" agora (2016) como Sala Surya Yoga. 

Yoga é para quem pode e não apenas para quem quer

Mas lembra-se de que, no início desta apresentação, utilizei os termos querer e poder em relação à prática de Yoga? 

Pois é. 

Primeiramente, reitero que não é presunção nem elitismo barato, mas uma constatação que vem plenamente de encontro às principais premissas da Filosofia Yoga, ou seja:

O aspirante deve comprometer-se a praticar, pois não tem outro jeito! Deve, ainda, abster-se das expectativas de resultados rápidos e fortuitos, porque estes simplesmente não vão aparecer se não houver dedicação constante e ininterrupta

Yoga a gente não pratica só quando dá tempo ou quando aparece um probleminha de saúde e coisas do tipo. Yoga a gente pratica e ponto. Yoga a gente pratica com ou sem tempo, de bem ou de mal com a vida. Yoga a gente segue praticando e busca não criar expectativas. (Por isso é que digo, parafraseando Iyengar, que praticar é meu mantra.)

Obviamente, é importante considerar também que não me refiro apenas à questão material de quem pode ou não pode pagar para frequentar um estúdio de yoga de qualidade. Mesmo porque, com essa popularização que mencionei aqui, há muitas aulas gratuitas espalhadas por vários locais do Brasil. Sem contar o auto-didatismo que pode, entre outros meios, ser viabilizado via internet, meramente "jogando no Google", como se diz.

Portanto, observe que o poder a que me refiro é aquele que se torna um traço de caráter fundamental ao praticante e que é uma conjunção entre decisão, determinação, dedicação, disposição, disciplina. 

É nesse contexto que digo que não basta apenas querer: é preciso poder.

Disposição para começar do começo

Diz um antigo provérbio que as mais altas torres começam no chão. E embora pareça óbvio que assim seja, atrevo-me a dizer que, na vida real, as coisas não acontecem bem assim.

Mais uma vez, explico: devido à imediatez clientelista a que me referi, quase ninguém mais se propõe a começar a praticar yoga do começo e continuar persistindo, apesar dos pesares. Esta está se tornando uma tarefa para pouquíssimos, lamento dizer.

Entretanto, se você é uma dessas pouquíssimas pessoas que podem começar do começo e persistir com decisão, determinação, dedicação, disposição e - uma palavra que se tornou muito antipática nos dias atuais - disciplina, a Sala Surya Yoga é uma opção.   

Desejo boas práticas e estudos a todos!

Rosana Biondillo


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